NATUREZA VIVA!
Objetos virtuais feitos dos mais
variados materiais
A work in progress
Luís
Carlos de Morais Junior
Dedico
este livro à Lia, meu amor.
O amor de guerreiro liberta.
Chamalu
plástico
duro e quebrável
ou mole e maleável
as cores mais alegres
e as mais solitárias
uma temperatura
estranha, indiferente
não importando a
temperatura ambiente
uma superfície lisa sem
fratura
ou aspereza
o meu zoológico
a minha fazenda
os índios e os cowboys
eram todos de plástico
e de lá pra cá
cada vez mais o
plástico se espalha
sobre a terra como lixo
ou edifício
ou o que o homem guarda
nele
o plástico é duro e
doce
venenoso e bom
insípido inodoro e
incolor
ou tem cores flagrantes
e elegantes
até a caneta
esferográfica com que escrevo agora
(e a máquina elétrica
onde passei o poema a
limpo
e o microcomputador
onde faço a nova versão
em grande parte
também)
é de plástico
papel
artigo número um no rol
das bruxarias
de nossa época medieval
e embruxada
o papel é o sangue de
nossas cidades
glóbulos brancos ou a
cores
levando a toda parte
a informação que
respiramos
e, higiênico, tirando o
que já não queremos
sob a forma de letras
manuscritas
ou de forma
sob a forma de traços e
desenhos
ou tinta de impressão
nunca entendi o que
seja o papel
nem para que serve
de onde vem nem para
onde vai
ou como ele consegue
receber sonetos poemas
bons e péssimos
contas notas
promissórias caras de presidente e outros homens
sinfonias e sambas e
rabiscos e obras primas
cartas de suicida e
diário de menina
o papel é o túmulo de
todos os segredos do mundo
e o grande out door (e
arauto) do universo
que dia a dia berra
mentiras, verdades e notícias
não sei se existe anjo
mas se ele existe ele é
o papel
reflexo
em toda parte havia
reflexos
o chão encerado
refletia a lâmpada do teto,
certas coisas, todos os
objetos
de vidro sobre a mesa,
no armário, as janelas,
a fórmica dos móveis, o
esmalte
da geladeira e do
fogão, os azulejos, os pratos, os talheres, as panelas,
e o cromado das
torneiras
tudo refletia tudo
a própria tela da
televisão
refletia por dentro e
por fora o mundo de dentro e de fora
tudo era reflexão
até certas roupas,
certas gomas de cabelo,
relógios, bijuterias e
óculos
até os olhos das
pessoas refletiam
e era e é um tal
inferno de reflexos
uma tão diabólica sala
dos espelhos
que eu já nem sei mais
o que será o opaco que já não reflete
o que seria o
refletido, o objeto dessa obsessão
pela reflexão
formiga
pequena e marrom
insistindo pelo chão
a formiga corre sem
parar atarantada
eu olho prà formiga e
faço a pergunta
que sempre esteve na
ponta da língua
e nunca fiz: é animal?
é feita de carne?
pois essa alienígena
matéria da formiga
que tem um cheiro todo
próprio e é ardida
e estalada de pegar e
apertar
está tão distante da
carne dos mamíferos
quanto a carne dos
caules ou dos troncos
ou a borracha ou o
chiclete ou o vulcouro
a formiga se enraíza
pela terra
e uma várias são sempre
a formiga
cega surda muda para
tudo
menos o açúcar e outras
comidas
que ela quer e não pode
comer
quando algo estranho
percorre nossa pele dizemos que ela
formiga
isopor
branco e leve
quente
quase fofo se se aperta
ele cede
se você raspar esfarela
parece neve
de carnaval
ou algo assim
um monte de pipoca
pós-moderna
com o isopor você faz
enfeite brega de festa
infantil
ou caixinha meio
térmica de hambúrguer
mas arte fica difícil
talvez um
transbudificador anímico ou
talvez uma sala toda
cheia de um bloco
maciço de isopor
meio esburacado para
que o participante
continue
esburacando arrancando
pedaços
até encontrar a saída
da sala, do outro lado
como um pesadelo
leve
o título: isoporco
carvão
a ponta da unha risca a
pedra branca
do papel e o traço
enervante riscado negro
de minúsculos
grãos de carvão
ali se deposita
uma estrada cortando o
deserto
uma estrada mutante
ela mesma feita de
pequenas pedras negras e de negra areia
se o vento soprar de
sua boca
ela muda de lugar
mas o deserto do papel
não
os desenhos a carvão
são marcos alienígenas
linhas de força que
muda de in/tensão e dire/ção
a cada momento
o car/vão é esc/uro e
indi/ferente
quase frio
mas ninguém como ele
sabe
segurar o fogo
guardá-lo e alimentá-lo
às vezes por dias
às vezes por milênios
(como a hulha que
guarda o fogo de árvores pré-históricas
congelado em barras de
carvão)
o lixo dos séculos
esse pequeno verme
sobre um pequeno asteróide solto no espaço
à parte de saber tão
pouco sobre o seu presente
nada sabe sobre o seu
passado
nada
nem sequer pressente
que os poucos séculos
de que tem uma pálida
sombra de consciência
são apenas a ponta do
iceberg
de que nos falam a
mulher ideal de se olhar
a mona lisa e
a vitória de samotrácia
e a capela sistina
e os comedores de
batatas e a lata de leite condensado e a
garrafa de coca-cola e
as camisinhas usadas
e as caras de marilyn
monroe multiplicadas em cacos pelas telas
e tvs
é o lixo dos séculos - uma
louca avalanche
de pedaços partidos de
coisas grandes
que o homem não entende
não revela
não esconde
pele
pela primeira vez
toquei em pele
há muito tempo
pele de mulher
e o que eu senti foi
além de dor e prazer
foi como morrer
foi como nascer
não há palavras nem há
nada como isto
isto caga isto fode
etc. e tal
o mais profundo é a
pele
ou sentir tudo que move
eu nunca vou esquecer
eu nunca vou esquecer
eu nunca vou esquecer
mesmo que o universo
acabe um bilhão de vezes
e um bilhão de vezes
ele volte a acontecer
eu nunca vou esquecer
a vida a alegria a
energia a luz a paz e o prazer
o sol que tocou minha
pele
quando eu encostei na
pele
dela
À
lira
Anacreonte
(tradução
de Luis Carlos de Morais Jr)
Quero os Átridas contar,
Também quero cantar Cadmo;
Porém as cordas da lira
Ressoam somente amor.
Anteontem troquei as cordas
E até mesmo a lira inteira,
Com prazer, por minha parte,
Falei das batalhas de Héracles:
A lira desafinou.
Passai bem, restantes semi-
Deuses e heróis! Minha lira
Só canta amor.
teleonomia
x teleologia
(poema criado a partir do
pensamento de Michel Foucault, Gilles Deleuze e Cláudio Ulpiano)
o poder é matéria
é pré-substancial
o saber é o campo das formas
provisórias
das
substâncias
(identidades
provisórias)
todas as formas provisórias
são produzidas pela potência da
matéria
que as faz emergir
as formas não são geradas
pelo espontaneísmo do caos
Novos
dias
O mundo é vivo e novo
E isso é bom
A chuva cai pela noite
Quente com seus segredos
Quem tem tantos tesouros guardados
Não precisa do diabo
Queima carmas e desejos
E ressuscita tudo transmutado
Fênix feliz
Poeta pirado
Ser humano e o mais
De todos os lados
O amor é a cor e o aroma
Dos dias que vêm
A
era do já
Uma pomba contra o azul
O presente de um segundo
E só
Que este dia me deu
Alô? -
do outro lado da linha
Quem eu chamo de chama
Quem eu chamo ou chamaria
Quem eu não chamo e é ninguém
-
Ninguém igual a este quem
Que eu trago dentro de mim
E que eu encontro ou esqueço
Ou já era
É
preciso precisar
Olhei você por ali
E fiquei até atônito
Como pode um ser humano
Ser tão bonito?
Se você olhar pra mim
Com os seus buracos negros
Meus receios de rochedos
Vão florir
Se você se aproximar
Com seus seios luminosos
A vida é cor de rosa
E navegar é amar
Outras
estrelas
A tristeza vem em potes
E também em pacotes médios
Por que comprá-los? Abri-los?
O mundo é além dos lotes
E há n remédios
Que são tranqüilos
E sãos. À noite estrelada
(Seria bom conhecê-las
Todas) e ao silêncio vegetal
É legal ir pela estrada
Ouvindo grilos e estrelas
E o sussurro global.
A felicidade também
Vem em ondas radiantes
Fontes de fótons e quanta
De sentimentos que vêm
Para quem já havia antes
Colhido aquilo que planta
Pelo planeta
E
de novo e de novo e de novo e de novo
Olho no espelho o jeito mais
escroto
Não há tempo pra tanto
Estou
em cima da hora
Meu lirismo que encontre um canto
qualquer na Floresta da Terra
Pra
encantar
Presente
de amor
Faço um dia lindo
Agora vou sair pra te encontrar
Queria te levar flores bombons
livros poemas
E te dar mil beijos na boca
Mas devemos ser discretos
Quase secretos
E eu te levo tudo isto
No olhar
Poema
n
As estrelas esperam por
Nós elas são a
Nossa voz verdadeira nós
Plantamos nossos pés
Sedentos de realizações sobre esta
Estrela mãe que nos quer assim
Como queremos a
Ela e também às
Que vemos além do nosso teto
De realizações e
De aspirações e piramos fazemos
Uma pira para adorar e
Douramos a pílula de
Vida de
Estrela
Maneira
Este meu amor por você
(Posso dizê-lo nosso?)
Parece a maior montanha russa
Do parque
Num dia você me anima
E ensina tantas coisas
E a alegria fina voa à nossa volta
Mas logo depois me mostra
O lago negro
E eu me sinto um menino
Brincando de super-herói
Tentando vencer
A coligação dos monstros japoneses
No muque desarmado
Ou melhor
(Ah, se fosse)
No sorriso
No olhar
No carinho
E no poema
E como parece que
Tudo mesmo vale a pena
Se a alma se quer grande
Como o garantiu o poeta
Eu vou e enfrento a ponte levadiça
E a fossa
E todos os dragões
Da nossa fantasia
Bem real
E não ganho nada
E a namorada
O beijo
O abraço
O passeio
Ficam me esperando em algum ponto adiante
E haja paciência
Coragem
Força
E vontade
Pra suportar legal
(Sem rir nem chorar nem dar
bandeira)
Quando o trenzinho entra no túnel
do amor
E depois sai e entra no túnel do
horror
E eu me sinto assim
Dessa
Maneira
A arte há-de
Em cantar
Você voa em seu próprio próprio
E faz contas de sonhar
Faz de contas
Um colar de sensações
Uma jaula que é só selva
Onde a fera mulher
E a oncinha paixão
E o pássaro da liberdade
Soltam os bicos
Soltam os picos
Soltam os bichos
E cantam
A canção da eternidade
Mais
que amiga
Siga-me
Se você acredita em nós dois
E se sente como eu à noite
Pensando nas horas que passamos
juntos
Até poder dormir e de novo sonhar
Comigo e com você, um ao lado do
outro
Até que venha o sol e o burburinho
Do dia despertar o nosso amor
E eu acordo e me lembro de você
E se você se lembra assim de mim
Antes de dormir durante o sono
E quando acorda
E pelo resto do dia a fora
Então saiba que sim
Você me ama
Como eu te amo
E assim
Consiga
Aspiral
Pictural do poético
Teus olhos brilhantes
Glaucos diamantes
De olhares noéticos
Não porque sejam platônicos
Mas por fazerem pensar
Transcendentalmente e pulsar
Palavras e outros signos
supersônicos
São como sinos de uma catedral
De pura luz pura energia pura vontade
Você encontra comigo em n momentos
descontínuos da realidade
E isso dá vontade à saciedade de
experimentar o próximo braço da espiral
CD
woman
A poesia não pára de passar
A poesia não serve pra nada
Se fosse letra de música serviria
Pra um monte de coisa (tipo tocar
no ar)
E se fosse negócio (i.e. grana
dólares etc.)
Servia pra quase tudo de lógico e
óbvio
E te traria quase tudo
E te levaria embora algo que não
tem nome
E a fome
E o alfa e o ômega
E o ego e o om
Bem
A poesia não adianta nada
Tudo que a gente precisa está no ar
Vem do sol mulher canção chuva
comida
Lua estrela ar puro água e alegria
Isso tem de graça pra quem quiser
E souber e puder
Como tanta gente come
E tanta gente come fome?
Como dizer nosso nome
Se tudo são fronteiras da afeição?
É preciso precisar
Ou está tudo errado?
Eu pergunto peço insisto
Você responde e não me diz nada
Minha amada
Será se você brinca comigo?
Minha mulher a laser
Guarde
em ti tudo de nós
Acho teus olhos lindos e fogosos e
bons
Mais bons do que o resto de ti
Mas mesmo assim tu e eles combinam
Quer dizer, bem melhor, tu combinas
contigo,
E isso é muito natural se bem que
raro
Mas o fato mais espantoso e
espalhafatoso
É o que meu faro não pára de me
demonstrar
Nossos olhos combinam, os meus e os
teus,
Nossos rostos combinam tão direito
E as nossas mãos direitas e
esquerdas
Se casam tão bem, como também
Se dão bem demais nossos braços,
E assim também nossos corpos
inteiros
Tu e eu, em cada completude,
Nos completamos um ao outro também,
Como o esquerdo e o direito,
O certo e o avesso,
O círculo e o meio...
Haverá algum jeito
De fazer essa mula empacada
entender?
Confissão
e com fissura
Diga que me ama
Como eu te amo
Nada mais importa
Não há pressa nem calma
Só existe a porta
Pra você bater
Só existe a alma
Gêmea pra encontrar
Você não percebe?
Ou você tem medo?
Tem medo de quê?
De que seja cedo?
De que seja tarde?
De arder, de se dar,
De ceder, de amar?
Você tem medo de amar?
Ou de amar a mim?
Eu amo você
Como nunca amei
E é fácil de crer
Que algo assim tão forte
Não esteja preso
Só dentro de mim
O amor está no ar
Entre os nossos hálitos
E ultrapassa os hábitos
E os mitos
E os medos
Hume
ao alcance de tudo (e de todos) tolos
eu
espero por você com a certeza inseta de quem espera pela hora do sol que vai
nascer como se espera por uma festa ou um teste o vestibular ou o lanche a hora
do jogo deslanchar ou um lance é como Hume já dizia idéias eu mundo Deus é tudo
ilusão logo há uma idéia de idéia em alguém que não sei quem sou neste não
lugar e que espera por você assim como alguém que crê (cresse, creria) em
alguma espécie de coisa assim como um hábito firme a crença na crença eu espero
por você como uma criança que espera um doce a sessão do filme o passeio o
circo e o brinquedo mais bonito e sem saber de nada eu espero por você como o
namorado espera a namorada na porta de tudo (banheiro trabalho faculdade) eis
tudo caminhos por toda a parte
Se
Amor se você for eu quero sim
Amor se você quer eu quero cem
Cem mil cem centilhões
Um infinito de vezes dizer
Amo você
Bastou você me olhar assim molhada
A face e os olhos e a boca e o resto
e o sexo
Bastou você botar aquele batom
E me beijar na boca com desespero
E se fingir tonta por convenção
Confusa chateada difícil blasé
E no entanto deixar que o tato e o
dedo e o teto e a audição
Captassem ultrassons do fundo do
molhado e piscoso oceano
De você e você me levasse assim
simples prà cama
Dizendo que era tudo besta e sem
porquê
E eu pudesse ouvir com o meu o teu
coração
Berrando que faria só pra mim daqui
por diante
De cada se um sim
De cada cidadela um caos
De cada pano um chão
De cada céu um lençol
Prà gente se deitar nele
E fazer amor de novo
Até o dia novo
Amanhecer
Motores
móveis
Meninas são coisa boa
E o mundo é tão belo
(Por exemplo, o céu
Em qualquer ocasião,
Grandes edifícios,
Virtuais construções,
A cidadela,
A esfera,
A pan-tera,
Delicados sentidos,
Pessoas legais
No meio social)
Aí já temos
Duas boas permanências
Estendidas no varal da duração
Ainda há a arte
Que vale o quanto arde
Em toda parte
Sem parar
Então, no salto atual,
Temos três motores
Agradáveis
Para se alegrar sempre
Já é alguma coisa
A
poesia do amor
dedicado
a Lia
O tempo é o todo
Complicado porque bom
Depois os verbos e muito
Mais e aí nós dois
A gente pode sorrir pela noite
E sabe fazer versos muito bem
O que tem de legal nesta
contra-cultura
E que gostoso teu beijo
Eu te dou gotas e mares
E a gente sabe voar
Mas pode ficar deitado na cama
A vida é feita pra se amar e eu te
amo
Meu amor me ensinou a ser simples
E sorrir
Frutas
dois
Beijos de língua Toda semana
Lábios molhados O fruto colhido
Dentes delícia Para morder
E o cio no olhar No paraíso
Fruta madura Dentro da boca
Mundo redondo A uva contida
Sol radiante Vai se delindo
Sumarenta laranja Se abrindo aos poucos
Tanto queria Vê-la é querê-la
Tê-la entre os lábios Pro meu desejo
O gosto amarelo A cereja é doce
E pleno da manga Como a cereja
Pra poder saber O morango aos poucos
O sabor que tem Vai-se tateando
O verde limão E singrando em gotas
É preciso tê-lo De amor
Passada sua casca Frescos são melhores
Ela se revela linda Que em calda tão bons
Em vermelho farto Pêssegos são as horas
E doçura melancia Do fico
Quero figo jaca O sexo da mulher
Banana cajá romã Amada tem um cheiro
Tangerina caju caqui E um gosto cheios
Pêra uva maçã De prazer e êxtase
Vênus
Meu canto é em homenagem a
Vênus
A Deusa do Amor a
Grande Deusa do Amor entre os seres humanos
Vós sois a criadora e a
mantenedora do que de melhor há em nós
Vós sois linda e podeis
nos mostrar a beleza das outras pessoas
De um modo novo sempre
novo e sem igual e total e até inimaginável
Através do amor que vós
inspirais clareando a nossa visão a nossa audição nosso tato olfato e paladar
Se parecemos meio
loucos ao nos apaixonarmos
É porque sem amar antes
estávamos desvairados de todo
E o começo do caso de
amor é o início da cura que vós nos proporcionais
Ó Grande Deusa de
Excelsa Bondade e Beleza Infinita
Nesta noite acordado e
contente de estar acordado a fazer versos e a olhar as estrelas
Eu me sei ser amante e
contente de o ser
E a vós consagro estes
simples versos que saem de minha caneta
E que se têm algum dom
é o de virem da inspiração do amor que vós me inspirastes
Grande Deusa do Amor,
Vênus, Vésper, Matutina,
A mais brilhante e
límpida de todas as estrelas.
Ares
Canto para Ares
O poderoso senhor da
guerra e da paz
Vós sois forte e tendes
o ar
Dos desbravadores e dos
conquistadores
Sois o regente do signo
de Áries
E tantos vos temem e
mal compreendem
Vós não inspirais
belicosos ou violentos
Mas sim produzis em nós
o impulso guerreiro
De ir à luta ir em
frente fazer o que é justo
Atingir novas áreas e
novas etapas
E nunca esmorecer ou
deixar-se vencer
E sim sempre lutar pelo
que se precisa
E acabar com o que
houver de errado e fazer
O que deve ser feito e
cumprir seu dever
Nós arianos devemos a
vós nossa crença de que vale a pena
Lutar e lutar e lutar
por aquilo em que se acredita
E nunca se entregar e
jamais aceitar covardia
E adotar prà nossa vida
A ética impecável e
bela do guerreiro
Meu canto é em vosso
louvor
Ó corajoso e invencível
Ares
O poderoso senhor da
guerra e da paz
Apolo
Ó Apolo Radiante
Deus da Beleza da
Harmonia da Felicidade e da Luz
Estai sempre em meus
sonhos e em minha vigília e fazei
Por favor, ó Grande
Deus Brilhante e Belo
Com que eu tenha acesso
às ondas da energia e do pensamento
Através da Poesia da
Música e das Sete Artes
E através do Amor e da
Filosofia
Para tanto merecer
acordo confiante a cada dia
E dedico o melhor de
meus esforços em trazer a luz
Para meu povo para meu
mundo para os meus e para mim
E a vós canto meu canto
humilde de homem único
Tendo em vós meu
símbolo minha meta e minha redenção
Ó Magnífico Deus Solar
Apolo Radiante
Deus da Beleza da
Harmonia da Felicidade e da Luz
Trazei ao mundo sempre
o que de melhor tiverdes para dar
Que nós vos prometemos
e nos comprometemos de assim também proceder
Para que a Luz Divina
se espalhe na energia da matéria
E o mundo seja cada vez
mais o mais feliz
Lugar de se viver
Diana
Ó Diana caçadora
Ó Artemis virginal
Vós irmã gêmea da noite
O Sol irmão gêmeo do
dia
O Sol a gema do ovo
Vós a gema diamante
Vós estais em nossas
noites
Noctâmbulas e dormidas
Vós estais em nossos
sonhos
Vós estais em nossas
vidas
As marés de nossos
corpos
E o Oceano de Gaia
Seguem a vossa atração
Gravitacional e mágica
Vós velais pelas
florestas
Pelos rios e montanhas
E por todos animais
Dos selvagens aos domésticos
Vós sois linda e tendes
luz
Uma luz pura e
balsâmica
Que tanto acalanta o
sono
Como atiça o amor em
chama
Uma luz de opala e
pérola
Uma luz cristal e
lâmpada
Uma luz divina e etérea
Uma luz que nos encanta
Sob a luz de vossa aura
Nós andamos nós paramos
E comemos e bebemos
E dormimos e acordamos
E amamos e amamos
Ó Ártemis caçadora
Ó Diana virginal
Tendes fases sois
Mulher
Tendes luz pura sois
Deusa
Tendes e fazes poesia
E magia sem igual
À vossa luz adoramo-vos
Deméter
Canto em agradecimento
a Deméter
A Rainha do Ouro do
Trigo nos campos
A Mãe Divina que
alimenta os seres humanos
E todos os outros seres
também
Canto em homenagem e
louvor a Deméter
A Divina Protetora de
todos os recursos naturais
A Deusa linda e boa que
provê o fruto e o grão
A Misteriosa Maga a
sutil Alquimista
Que conhece os segredos
da transformação
De minerais gases e
água em vegetais
E aos seres humanos
revela a magia e o mistério do pão
Canto em amor a Deméter
Que nutre e protege os
seres viventes
Que nutre e protege a
Natureza
Que nutre e protege a
Terra
A Nossa Mãe Gaia
Aquela de onde viemos
para onde vamos e de quem somos
Parte
Hermes
Os humanos às vezes
percebem lampejos
E o ar que se desloca
aparentemente sem razão
Não dão conta de eventos
que são mais velozes e leves
Do que podem captar com
humana percepção
Outrossim outras vezes
concebem o espírito eterno
E têm intuição das
essências e do plano divino
Não é a seu arbítrio
que devem porém o dom de senti-lo
E sim aos mensageiros
celestes que Deus nos envia
O mensageiro de Deus
faz a comunicação plena
Entre os muitos e muito
diferentes planos da criação
É ele a garantia de que
nada nem ninguém está separado
Do todo de onde vem a
que volta e que é sua fonte
Agradeço a vós
mensageiros de Deus que atendeis aos simples mortais
E que aprendi a chamar
Anjos de Deus desde quando menino
Vos via e ouvia à volta
de mim
E também pronuncio meu
muito obrigado
A Mercúrio dos Sábios
Que atende por igual
aos profundos e aos tolos
E ajuda sem discriminar
de cor, crença ou renda
E instrui com precisão
a sofistas e filósofos
E traz ao nosso plano
comum a iluminação
Todo nosso respeito e
reconhecimento
A Hermes
O responsável direto
por todas as espécies de comunicação
Dionisos
Vós sois lindo
Trazeis a alegria
Da noite pro dia
Do dia prà noite
Prà humanidade
Gosto de ver gente
sorrindo
E gosto de ouvir os
acordes
Da festa
Tudo de bom vem da
verdade
Se você deixar rolar
Como um rio uma cidade
Uma criança a brincar
Viva a vida
Viva o tempo
Viva o amor
Viva a alegria
Viva nosso Deus
Dionisos
E que trazeis poesia
Canto dança e melodia
Que mudam tudo pra
melhor
Do dia prà noite
Da noite
Pro dia
Atena
Vosso mundo era mais
belo e mais forte e seus homens
Bem mais valorosos do
que podem os humanos de hoje em dia ser
Mesmo assim vós
tivestes a grandeza de abrir os caminhos
Para que nossa
realidade virtual mas sem virtude viesse a ser
Do alto da Acrópole
podíeis ver os navios que vinham de longe
E a doce lida cotidiana
citadina se afirmando em comércio disputas e política
Bem vistes ali que era
o próprio mundo que estava se mudando
E que a pólis
ultrapassava agora as fronteiras da província
Ainda pudestes ver os
bárbaros chegando e toda a culta
E estulta idade média
que ali se iniciava e até hoje dura
O vulgo se agarrava a
suas certezas e desculpas e cultos
E mostrava dura cerviz
para tudo que fosse cultura
Muito bem seja como for
o mundo se tornou o que é hoje
Pós-comércio
pós-indústria pós-cibernético e soft
A sofisticação hoje é
shopping e os presentes filósofos
Só dão saudade do tempo
dos ensaios sofísticos
Mas não importa
Vós sois a nossa meta a
nossa alma a nossa geratriz
E as muitas
experiências divinas ou bestiais dos seres que somos
São sempre uma
demonstração do quanto o pensamento
É assombroso
A conjunção Júpiter-Saturno
O pensamento entra com
o vento
Ou o vento entra como o
pensamento
Em nossa sala de estar
Em dezembro de 1999
Lendo o Almanaque
Astrológico
Ouvindo João Gilberto
E sentindo a maré
(Agora deveria entrar o
artifício
É a hora de salvar o
poema
Fazendo jogos de pensar
que valham a pena
De ler e falar e cantar
e pensar
Pensar é leve como o ar
E luminoso neste dia de
ver
E o difícil é um
edifício
Com mil entradas
labirínticas
Mas estar é fabricar
E o resto é fácil
E o falso é falar
E o poema é algo)
- Em 28 de maio de 2000
Tudo vai mudar
Amos
Mi vidas sian parfumon cie nepre
ciam tentanta forgesi
sed mi
povos venki la forto
de tio vorto
sed
Sum
Scio milierem
Illa sollers est
Sed ego ipse sum
In ueritam aqua
Pulchritudo illo
Ergo ego ipse sum
O esposo feliz
(recriação de um fragmento de Safo por Luis Carlos)
Tua ditoso esposo é
Cálida esposa como
Tanto querias, feito é
Tudo, a mulher é tua
Existe
Vim pra dizer que te amo
Mas o quê o amor quer
dizer?
O que fazer com este
fogo tão grande que arde em alguma parte de meu ser?
Eu quero que você me
queira
Mesmo sem saber por quê
Tudo continua sendo
senda e não há mais the end pra esta semente que ainda vai nascer
Anelo
Vou te dizer mais
O meu tempo é demais
Agora
Sempre agora
Estrada a fora
Coloquei os pés na
janela
Deitado sobre o divã
Esperando pela brisa
que me anela
Da mais bela diva da
manhã
Eu comprei um anel
E estabeleci uma
novíssima aliança
Comigo mesmo com você
com o meu céu
E com a Terra
Esta linda e eterna
Dança
Elogio ao magistério
Ele acorda de noite
E acende um fogo
E enquanto todos dormem
Ele estuda e trabalha
Lê os seus tratados de
filosofia
E de matemática
Estuda as ciências
Vigentes e por vir
E aprende as línguas
Mortas e vivas
Pra melhor poder ler e
entender
Escrever e dizer
ensinar comunicar
Ele se dedica às artes
E mesmo às artes
místicas
Ele assim domina
Cartas dados letras
O que você quiser saber
Ele pode te ensinar
Sábio majestoso
Com seu emprego modesto
Vai distribuindo
Joias para o povo
Ou então remédios
Antimelancolia
Honesto e rigoroso
Amoroso e iluminado
Generoso e alado
Eis o professor
As
ruas do Rio
Paideia
Aprender russo para ler
Maiakóvski
Aprender francês para
ler Mallarmé
Aprender chinês para
ler Lao-Tse
Aprender espanhol para
ler Castaneda
Aprender inglês para
ler Dylan Thomas
Aprender alemão para
ler Nietzsche
Aprender português para
ler Luís Carlos de Morais Junior
Ética
Tudo bem se se
contraia
distraia
retraia
atraia
abstraia
espraia
subtraia
extraia
Tudo bem só não se
traia
Se
Você não vai me
reconhecer
Quando me vir
Se um dia esse dia vier
Você não sabe o que eu
vi
E o que me fez aprender
tudo quanto aprendi
Um dia você pode ser
Que saiba, e aí então
vai ver de verdade e de perto
Como é
Anarcópolis
Este não é um poema de
amor
Notícias de vulcão na
tv alegram e energizam os telespectadores telepatas
O mar está poluído e
morno
Mas os surfistas
aportam
É primavera
E faz frio pelo ar
neste dia de sol
Aquele friozinho de
outono (estações confusas)
Leio o aforisma sobre o
mundo em Vontade de Potência
E sinto algo para além
do sim e do não
Sinto alegria e tesão e
uma vontade pura
E o medo como um mito
do sertão
Grande ser tão incerto
ou devir assim tipo
A árvore verdejo a ave
e o avião voando
Particípio presente e
até o particípio futuro de modo
Que Anapolino estará
sendo racional uma hora lá
Os/as garotas/os vêm à
escola para rir
E comer: sorrisos
lanchinhos palavras esperança
Aprender ninguém quer e
com muita razão aprender é
Remar contra a corrente
nadar contra a maré
E é por isso que
fazemos jaulas e grades
E engaiolamos formigas,
gafanhotos, pernilongos,
Porque somos parte de
um mar de vontades
E olhamos de longe os
vulcões e as escolas de samba
Está tudo bem quer
dizer está tudo um caos
Um garoto foi criado
por macacos na África
E depois descoberto e
adotado por ocidentais
(Quer dizer, falam
inglês e têm dinheiro em branco)
E não pirou nem deu no
pira, quer dizer,
Lá se foi minha teoria
(Graças a Deus) sobre a cultura ser o tudo
Por exemplo no exemplo
dos meninos lobos que não agüentaram a socialização humana posterior
Já este parece que
agüentou (como alguém qualquer um agüenta) e só se revolta
Se vai ao zoológico e
vê os macacos nas jaulas
Os caras nas janelas e
telas bem podiam se afiliar aos pássaros peixes e outros bichos
E quebrar as gaiolas e
não mais construí-las
NósNósNósNósNósNósNós
somos todos partes de Gaia
A Terra de amplos seios
que a tudo abriga
O mundo, o vasto mundo
de que falam
O poeta o mitólogo o
filósofo o cientista
Cujas palavras ninguém
entende ou ouve ou quer porque
Anapolino sendo
bonzinho mês que vem
Alta do dólar dos juros
do gás
Desemprego e ofertas
para operacionalizador
Digitalizador com
perícia em prudência e ás
Em dizer sim com o rato
em inglês e chinês
E pós-graduação em
insensibilidade seletiva
E coito comum e senso
arbitrário e voz do rebanho
E bons princípios prós
e/i/legíveis colados nas costas de trás e traz
O resto o resto é o
resto e é aí que passa o rio
Dos prazeres imensos
dos mares e das vidas
Piratas cruzam as
cidades com ódio no olhar
Que chispa com toda a
faísca que encontrar
E nômades fogem e
voltam e mordem e sopram agenciando uma possibilidade particípia intempestiva
avenidade etc. este não sendo um poema
De amor mesmo assim é
um poema de amor
As indústrias fazem
renda sem rir nem parar com o ar e a luz
E a água esgrassa o rio
pára de passar
Mas as ruas correm
cágados de aço e porcos
Cheiram a terra crua
atrás de cansaço e dia
Em volta você vê o
bairro de barro e as torres enferrujadas das fábricas
As casas aglutinadas de
dúvida e pão
As fazendas pequenas
dez metros quadrados
E os cubos de razão e
os sólidos da décima nona dimensão
Como se chamam mesmo e
como eles são vamos tentar imaginá-los então
E o chiar do pouco no
fogo
Que não é metáfora do
vir a ser
Mas é o logos
De um povo bom e mau
cara de pau
E coração de gente
(ente da classe g (uma gravidade) mas não necessariamente)
Que come porco se tem e
feijão
E se não tem joga tudo
pela janela
Pra ganhar sessenta e
cinco milhões de reais na mega sena
Seria ótimo ter setenta
e quatro trilhões de reais (ou muito mais)
Um pouco de realidade
(e sonho e feijão) a mais
Faz mais caos mas faz
mais cosmos
E faz grande diferença
Anapolino não está
cansado
O sol nasceu de novo e
pra valer
À tarde teremos café e
pipocas
Agora é hora de cumprir
horário
Plantar frases feitas e
outros efeitos
Como confeitos
antípodas
Gostaria
De saber como é plantar
estrelas
E
Semear fótons e
enterrar as mãos
E os pés no solo mais
fecundo
Ele fecunda o mundo
Com o seu amor
De signos
Merda quem come signos
Quem come rádio tv
noites bombons
Quem come sexo
Sexo sexo sexo sexo
sexo
De tão molhado e
espectante
O tal sujeito está seco
pela noite
Pra enterrar nas ancas
da morena
A sua afirmação
Cores sobre as pontes e
sobre as ruas
Embaixo canos trazem e
levam quase tudo
No ar um certo quê além
de chumbo
E os aviões de carreira
tremendo
As flores nascem dos
lados das calçadas
Onde os bêbados esperam
pelo devir
Que não vem e o trem do
metrô
Costura mundos com o
cinismo da tv
Encadeadas fontes
forram o gás dos carros
E uma canequinha se
enche com prazer
Um metro de cortiça
bóia no refrigerador
Com o cinismo do tao o
óleo escorre
E ele liga as lâmpadas
de mercúrio e neon
Como luzes de um palco
se acendendo
A cidade vai brilhando
e ficando maluca
E as ruas vão virando
uma outra coisa
Quero ver a teia fina
Que vai potencializar
E tomar a cafeína
Que ensina a relaxar
E chupar a tangerina
Tão gostosa de apertar
E cheirar a granolina
Tão lisinha de aspirar
E rangar a gelatina
Da corvina do alto mar
E faturar a menina
Minha mina de ouro e par
Essa mania alucina
Mamãe eu quero mamar
Quero comer margarina
Baby piscina luar
Essa fonte beduína
Mina e mana até molhar
Essa fúlgida retina
Cristalina é como o ar
Tão precisa que me ensina
Como é bom poder amar
Pois o amor é linda sina
E eu preciso precisar
Preciosa bailarina
Minha menina é meu lar
Quero ficar o dia inteiro
Com a cabeça recostada nas suas práticas
Abraçando o travesseiro
Cheio de fantasias sádicas
Pois o amor é coisa fina
E nos faz acreditar
No que a vida nos ensina
E que a gota d’água é o mar
Eu gosto de sentir a vibração
De nossos corpos enleados na dança
Erótica caósmica agápica são
Acármicas as fitas que atam a trança
Da transa da paixão do amor
Se for verdade assim como arde
O que é bom seja como for
Gozando a glosa sem alarde
É um kama sutra inédito e animado a nossa fita
De vídeo com bilhões de dias
De gravação ininterrupta e bonita
E boa em que inventamos fantasias
Pois o amor é coisa fina
E nos faz acreditar
No que a vida nos ensina
E que a gota d’água é o mar
Natureza Viva
Isto tudo é muito aconchegado
Em seu próprio jeito esperto
Na verdade o é porque vai pelo meio desse
matagal
Que tem características de deserto e de
tormenta
Sem se entregar ao que seria o errado tipo
ficar cretino
Eu faço meu destino porque sou impecável
E tenho sentimentos verdadeiros
A sinceridade é a vacina obrigatória
Para este novo milênio a nova era que agora
começa
Eu sou viajante do tempo
Tenho um passaporte de consciência
Meus mestres ou inspiração pois eles não
querem ser mestres
São Don Juan e o Nagual Carlos Castaneda
Eu sei que aí vem uma estranha realidade
Inimaginável em termos do que se teve até
aqui
Quem se queixa de ganhar na loteria?
Parabéns humanidade
Você é parte disto
A Natureza Viva
le
O
Filho da Selva
Luís
Carlos de Morais Junior
ONDE
O SOL SE PÕE
Se você quiser saber
Onde é a terra onde o sol
Feito um louco se pões a si mesmo
Onde os bois voam
Os mudos falam
E os outros calam
E os esqueletos andam
E limpam os vidros dos carros nos
sinais
O fim do mundo
Ou o princípio/o precipício
Onde o sol morre
Ou começa a nascer
É lá
Onde o Filho da Selva nasceu
E a selva desapareceu
E estava escuro no mundo
E ninguém ouviu seu choro
Nem cortou o seu umbigo
E ele se arrastou
Feito larva que ele era
Ou feito lava de vulcão
E comeu terra
E bebeu água
E se encolheu num canto
Esperando o dia vir
Brilhando negro branco amarelo
laranja vermelho
Verde azul índigo violeta
Uma bola chutada através do espaço
Atrás da folhagem
Entre
a fanta e o fantomas
Sua pele escura
É amiga do sol
Mas está suja
De vergonha e medo e ódio e fome e
fantasia e tesão
Corre feito um menino
Que não é
E brinca com gilete
O sol está pregado
No meio de um deserto azul
Bate forte bem em cima nimim
A boca esburacada sorri
De mascar minduim com a gingiba
Gosto bão
O mermo minduim ( i um kartucho
Só, vê lá )
Que ele infia nas janelas
Dos carros apressados
Zangados
Que olham fixo e vidrado pro sinal
Que abre rápido
BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII/BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII/BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII/BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
E
BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII/BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII/BIIIIIIIIIIIIIIIIIII
BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII/BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII/BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII/BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
Saidaí
Seu palhaço
Vaipaçocaí?
Pode limpá o vidro?
Chiclete tranca caqui biscoito de nada?
E os carros arrancam
Os pedaços
TI
VI TV
Às vezes seus olhos opacos
Brilham mais do que uma lata
De coca-cola ou de cola
Ou de coca
Às vezes seus olhos inquietos
Ficam quietos e calados
Brilhando como uma usina
De energia nuclear
É quando através do vidro
De uma casa de família
Ou de vitrine de loja
Antes que o homem venha expulsar
Ele vê uma telinha
Colorida de tv
Que parece cocaína
Misturada com cheirinho
Com fuminho e metidinha
Comidinha e carinho
Calor humano
Que penetra rasgando os buracos
De seu crânio e se instala em suas
entranhas
DEUS
DO DURO
Foi o diabo
No beco
Tudo escuro e tudo correndo bem e calado no
nosso mundo
Pó pau faca agulha
Encontrando cada um o seu buraco
E uma prece muda pro diabo
Agradece o pau nosso de cada noite
Quando a sirene rasgou o sonho
E a luz chapou os rostos em sustos
E muita gente correu e morreu
E muito bicho entrou pelo chão
O Filho da Selva não
Ficou olhando com cara de trouxa
O dedo enfiado na boca
Mais vale um otário vivo
Rolou por cela rolante e cela parada
E de cela em cela ele chegou no céu
Em vida
O Abrigo dos Meninos do Deus do Duro
Onde de dia recebia lição e sopa rala e pão
duro
E de noite dava
Duro
CHICO
CHICOTE
Ri ri ri ri ri ri
Só
Ronca ri respira ri
Só rosna relincha sorri
Ruge - rói restos -
gargalha
Se arrasta urge urra relincha
Sorri ronrona espirra
Sangue por toda parte
Ar pesado lâmina leve
Vem aí Chico Chicote
NOVA
CANÇÃO DO BECO
O que importa a bomba H a fome mundial o
vírus a destruição a estupidez humana?
O que eu vejo É o beco
AGENTE CABRAL VERSUS LOS
CABRITOS
Eles vieram numa frota de caravelas
Rasgando ondas empurrando velas
E cravaram a espada e a cruz no chão
Da terra desconhecida que acharam
Macacos parecendo homens e mulheres
Vieram com seus cocares
E eles olharam com olhos gulosos
Aquelas vergonhas poderosas
E pediram ouro prata madeira
À sua branca maneira
Empunhando espadas queimando pólvora
Deixando toda a selva em polvorosa
E se não falassem e/ou mentissem
Lhes arrancavam a verdade e/ou a língua
Com maneiras sedutoras/tutoras/
Paus-de-arara/metralhadoras/
Banho de sangue/agente laranja/
E o auxílio de agentes anjos/
Arcanjos/jesuítas/padres
Comeram do bom sobrou o podre
Pra fermentar a massa de pobres
-Diabos sem prata nem cobre
Se cobrem com papel papelão e lata
E geram seus filhos mulatos
Aos milhares como uma ninhada
De gatos amaldiçoados (nada
Justifica esse olhar de orgulho e malva
Nada te desculpa honra e absolve
Diante de tudo que a você se imputa
Mas você persiste seu Filho da Selva!(
DISC
O VO ADOR
Se você pra ter medo tremeria
Mas não adianta mesmo e eles estavam ali
Na sua frente em - carne e osso?
Metal e borracha? Matéria plástica?
Enrolando a língua como alucinados
Ou como seres de outro planeta
Mas ele sabia que aquilo era inglês
E eles deveriam ser de Alguma Organização Internacional (AOI)
Colocaram-no sobre a mesa
Ligaram um holofote sobre ele
Tiraram sua roupa
Tiraram fotos
Abriram sua boca
Espiaram pelos cantos furos e frestas
Depois saíram às pressas
Levando consigo o Filho da Selva
TERNO
ETERNO
Gente aqui tinha pitomba
Maracá timbó bobó
E se não tinha inventava
Branco trouxe o pão de forma
E o inferno
Eram brancos como o dia
E montavam em quimeras
Belzebus bestas bucéfalos
Pisavam na terra
Como se ela fosse aterro
Gente tinha cauim sururu tangará
Homem trouxe gripe e terno
O ódio à terra
O terror
OCO
enjeitado
com suas
Dante desceu lantejoulas
Já o ao
Inferno
O
Filho da Selva
vai
-
pelo caminho do meio
pra
lá
o miúdo exemplar da espécie humana
confortavelmente amarrado à poltrona
sozinho na semi-escuridão espera
que se revele o teor da armadilha. era
pra pirar ou rir idiota cabisbaixo
criado na favela na rua debaixo
de ponte vendendo gelo no pólo norte
e aí o que vier me’irmão é lucro
a vida é truco é burro xucro
não tem troco OCO
o mundo é OCO
OCO
OCO OCO
OCO
OCO
OCO
OCO
OCO
Cocô
(De repente pegou
desconfiar que aquilo não era inglês coisa nenhuma:)
- Ibá puru bi mo fieval gunthirβinnnyy
Ongon mangon fil vongon
plastrom a sckiball
Forki midi frebaton!
- ĐœσǿựﻻồоŗęĺřœħŋŤζיựﺾћ
- O gáni Kefaká
paremobarc
Prakavi tobrdodó preborá!
- Isváni gorguru baka?
- Ǿ§âåġľċĦũŮķěĒāå×Éßåůǻηζч∂fiflдŰžķĐņŤĬŖą
- onderará parerar[a gareraggarará
ahha parebó, pló ibá fieval paraka.
(De tanto medo
O herói sujou as calças)
VOO LIVRE
Uns falam em espírito
Outros no puro
Acaso do encontro de
partículas.
Lucas só sabe que tem
pavor
Da maré que sente quando
vomita.
Uns têm medo de voar pra
não morrer.
Outros dizem-se imortais.
Luca olha em volta e outra
volta
- Ele sabe - vai
ser demais.
Uns voam sem sair do chão.
Outros rastejam, mesmo no
ar.
Luc fecha os olhos e a
espiral de novo volta pra lhe torturar.
figural
cintura de índia
dos tempos de cabral
mar encrespado
em tarde cinza
pintura figural
madura fruta
passa do futuro
secura
tarde córrego
parado vento
folhas caindo
a mente
em alvoroço moinho
uluri
cauim & cauim
até cair
ri de mim
Dimensions
subir pelas 4 paredes
yes
ele
poesia
escapando
da câmara de gás
das
paredes que se fecham
como
uma 5r5nh5 s5b4ri5 5t& o d4do
ond4
os talh4$ rixados fornam
cl@ros oucudos
indizzíveis
prop1c10$
@os chatos
os
charcos ferventes p4nt5 demenSÃO
pelas
umbras dos umbrais e pelos púbicos e foda e genitais
nos
ombros sobsolo fenestras frestas escomBRetões
como
lograr espaço
no terraço do
tetado da midom
mingu3m midom
esvald6 nos temp7s enqwantu
er r8as e POESIA e po9sai e p10esia E
POESIA E poesia
11 sim S U B
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIR
[1
2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 18 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
31 32 33 34
¥
QUEDA
LIVRE
Finalmente chegamos. Vamos
Saber enfim. O fim
Não tarda.
Oluka Kebbi fecha os olhos e espera.
A porta da nave se abre.
Um pedaço de céu violeta.
Dois sóis laranja, uma cidade
De filme (que Oluka quase nunca viu).
Provavelmente estava em um planeta de outra
Galáxia
Ou então na América.
IGLU
Você diz que
O fim do mundo vem aí
E é melhor pagar o seu carnê
Que não viver de esmola
Nunca fugiu da escola
A escolha vem aí e vai pegar você
Os peixinhos no aquário
O canário na gaiola da área de serviço
O cachorro na casinha
O pingüim na geladeira
Você não tem nada com isso
O feijão ficou horrível
Tá nascendo um troço estranho bem ali
Sua sala é apertada mas é grande e ovalada
E desse ovo não tem pinto pra sair
E você se ama e ri e vai pouco a pouco dia
a dia
Com a ajuda dos amigos e inimigos da tv da
firma & das igreja$ e das loja$ e dos amigo$ e das roupa$ e dos super
marcado$ compondo a sua própria
Embalagem
ão
Pav
vor
FORTE APACHE
O muro de Berlim caiu
A estrela de Belém também
Bastou um trovão e pronto
Eles caíram feito feijão preto
Agora você como jornal
E bebe ondas hertzianas
De todo o coração
Você abre os buracos
Pro tempo passar ali
Cara, eu já soube fazer poesia
Depois ficou isso aí
Publicaram inéditos do Oswald
E eu aqui sem grana pra comprar
Sem gana pra roubar
Viva o Bisohp Sardinha
O Hans Stad-teen
O cara Murú
Hoje há apenas tec lados
Peões de um xad rez abs urdo
Sem o heroísmo dos mistos
O FILHO DA SELVA
Macun aíma
Jo ão Mira mar
Velhas histéricas debruçadas sobre a tev ê
ndo verdades
Novas e históricas e vendo vender e vendo
O amor de borracha dos bonecos
Vendo os muros de brinquedo
Vendo o
Vento
ONE
WAY
- Você - e Lucas se virou bem rápido
Mas não conseguiu descobrir a fonte
Daquela voz. Veloz tentou fugir
Para descobrir-se imobilizado.
Rádio antena sonho hipnose onda
radioestesia ou fosse o que fosse a ponte pràquela voz veloz lá a rugir seus
bilhões de bytes prum índio pirado: Você/
/foi
condenado nesta corte/
/por
consumo e descartabilidade/
/todos
os /humanos/ fazem assim/
/você/foi/condenado/a/sofrer/corte/por/
/consumo e
descartabilidade/os/humanos/en/
/t/r/e/g/a/m//a//p/o/e/s/i//////////////////////////////////////a
- Pra quem? - a Lia me perguntou.
DOS QUE VÃO À CENTRAL DO BRASIL VIA
33
Os que vão à central do brasil via
42
Dante subiu Orfeu subiu Jato
subiu
Dólar subiu Cisto subiu Preço
subiu
&
O Filho há de descer... O Filho da Selva
desceu!
O Filho da Selva é de descer
E dar. Um pulinho e estava
na Terra.
Desceu. Assim como descem
As águas do céu pràs
gargantas do mar
Os ares que caem em abismos
profundos
Os suicidas dos
ALTOS
PRÉDIOS
DO VÃO
Central
Da ponte
rio-niterói; os trabalhadores
Da barca do
ônibus do trem
O fio de
baba do velho biliardário
Octagenário
Plenipotenciário
Prepotente
Impotente
E otário
• •
•
O
RATO
O Luca andando com o passo incerto
Uma estranha sensação na nuca
E um zumbido de inseto nas estranhas
E um troço rodeando perto
Um pé depois do outro trôpego
Olhos nos olhos de criaturas estranhas
Que atropelam sua atenção
Com suas ganas seus ritos sôfregos
Suas metralhadoras de tensão
Suas carnes estranhas feitas de medo
Seus risos doloridos seus brinquedos
Mortais - Eu não agüento mais!
- Luca gritou no meio da rua
Atraindo a atenção dos comensais
Aprontando por si mesmo a sua
Sendo achincalhado como convém
A alguém tão mal a um homem de
BEM.
(Isto
não pode ser a mesma Terra
Os
americanos do disco voador
Devem ter cometido algum enganho
Esta não é a minha própria terra
Esses robôs insanos não são do gênero humano
Quia errare humanum este - assim o horror
Ele refleriria se fosse refleditor)
(E não um rato)
Devem ter cometido algum enganho
Esta não é a minha própria terra
Esses robôs insanos não são do gênero humano
Quia errare humanum este - assim o horror
Ele refleriria se fosse refleditor)
(E não um rato)
Perdido
sem espaço
(e
mal pago)
Onde estou?
Este beco desconheço
Que louco lugar onde vim parar!
Que loucura aceitar
Cair nesta poça
Sair daquela lama
Para cair no fogo
Mais frio que já se fez
Isto é
Viver na merda
Com fome pereba frio e vermes
Faltando dente na boca
E cálcio no sangue
E em volta esse mundo santo
De caras de pau e cus de ferro
Oh!
Foi tudo um erro!
Era só uma quimera!
Que merda!
Onde foi parar a terra
Onde eu menino corria
Cheio de alegria?
Definitivamente estou fodido a seco
E sem qualquer pagamento
Possível.
Outra
meditação sobre o Tietê
São Paulo acelera
(Que nem rio)
Toca a buzina
Quase te atropela
O Tietê tá um lixo
Fedendo a merda
- Mas
agora ele tem UM jacaré
(Que NEM o Rio)
ORIENTAL
denovo jorgeben tinharazão
magnólia chegou naprimavera
observação
Como Eu Bactéria
Parte Dizia Se
Da Como Dividindo
Condenação Parte Sempre
Oluka De É
Kebi Sua Como
O Condenação Eu
Menino Ulucaquéb Dizia
Mulato Se Ele
De Viu Foi
Rua Estilhaçado Condenado
Condenado Em A
Pelos Mil Ser
Loucos Pedaços Condenado
Aliens Fracos Juiz
A E Advogado
Voltar Cada Rei
Para Um Populacho
A Era Artista
Terra Uma Sacristão
E Coisa Deus
Viver Diferente O
No Tipo Diabo
Meio Esparadigmós Aí
Das De É
Pessoas Dionísos Que
Comuns De Foi
Dos Osíris O
Humanos Tipo Diabo
Ogro
Cacete na gente
Tudo tem seu preço
Tem que pagar pra passar
Tá tudo bem
A gente merece
A gente reconhece
A gente repete
Se esquece e repete
Quem leva cacete
Tá muito certo
Bem dentro da gente
A gente se mete
Se rala se esforça
Mas tem consistência
Tem que pagar pra gozar
Você não percebe
A gente é um nome abstrato
Você é um merda
E você goza
De tanto levar
Respeito no rabo no olho
Na boca do estômago
Tem que ser fera
Isto é, bem babaca,
Tem que pagar pra pagar
Tesão
suficiente
A gente sente um tesão enlouquecido
E se abraça com outra gente
É, a gente não tem vergonha
Se resolve aqui na terra mesmo
Prà gente a terra é suficiente
Versos
públicos
Quando eu era um menino abandonado
E te ofereci chiclete
Você riu faceira pro teu namorado
Ficou com medo de minha pele preta
E comprou de pena
Num gesto de carinho não aceitou o
troco
Fiquei olhando noite a dentro a
tela
Tudo chato e repetido
Quando eu era um mendigo velho
Você teve nojo de mim e me
amaldiçoou
Você era cult e brincava de ser das
trevas
Mas mandou o motorista passar por
cima
Essa ralé enche o saco
A noite caiu como uma droga pesada
E eu tive pesadelo
Sonhei que eu era teu rico namorado
louco motorista
Tua máquina de imprimir dinheiro
E você deitava e rolava e vivia
Por mim pelo que eu lhe dava
De fim
No fim você não amava nada
Ou tudo, e isso não é nada
Quem poderia amar uma barata?
Quem poderia comer suas cagadas?
Sub-missão
Poderia transformar a solidão
Em uma coisa ativa
E tentar fazer desta prisão
Uma ciência viva
- Que a ciência não seja
submissão
Mas uma tentativa.
Se a cela está hermeticamente
fechada, não
Há outra alternativa.
Gen
da Selva
O selvagem age
Levado pelos mais elevados ideais
E mistura amido com saliva
Abre uma porta prà alegria
Colhe maconha no mato
Sem sujeira faz sua fumaça
ecológica
Abre portas lógicas
Índio é chegado em fumaça
Eles que inventaram o tele-fumaça
Assim como o tele-batuque
Na fumaça deixavam um cabeção
E lá ia outra cabecinha prà coleção
Defumados nas fogueiras da
degustação
Colocavam as coxas dos valentes
Seus pés sem chulé
Seus braços tostados
E comiam assados
Os outros homens numa espécie de
homenagem
Porta aberta prà passagem
Topo’s
Xícara
Bule
Eh
Bule
Ebulição
Água
Chá
Verde folhagem
Terra escura
Balão de São João
Super-homem:sub-mundo
Como palhetas
E muitos grãos
Com sofreguidão
Sou um porco
Mas a minha fome
É enorme
Pra disfarçar
Como feijão
Como cordas de guitarra e violão e
baixo e cavaquinho
Como letras escritas
E minhas vistas
E dias e noites
E gente e ar e água e ondas
E terra e terremotos
E fogo e gatos assustados
E tenho esta cara de jesuíta tímido
Mais um canalha
Descarado
Eu vou longe
Ou perto
Não importa
Eu não passo de uma merda de um
homem
(E é aí que o rabo torce a porca).
Tudo
de ensaio
Gosto de coisas que ninguém gosta
Sem mitos
Bendegó
Passoca
Duck Tales
Monteiro Lobato
Sopa Leão Veloso
Eu sou maluco
Alternativo
Serguei
Mautner
Roger Waters
Paleta Gibson Heavy
Uma gracinha
Uma gota
Só vou saber se gosto no Sábado
No ensaio
Tudo - um ensaio
Só ensaio
Sem apresentação
Haja paciência
O mundo é um tubo de ensaio
A vida - por causa da rima - é
A experiência.
Por isto fiz esta letra assim que
segue
Prà melodia composta pelo Grupo de
Rock
O Próprio Lado da MÚSICA ALIENANTE
no deserto
(Que é a Eliane, o Deive e eu):
A
coisa do al pinista
Frascos descorados de álcoois e
outras substâncias
Dançando na mente em foco do
descentrador
Toda vez que dança a mola quebra
como um tubo
Que começa na ponta do dedo E COME
TODO MUNDO
Quer fazer estrelas azuis
&
pequeninas
MAS SÓ NASCEM BURACOS NEGROS
EM SUA RETORTA
Olha em volta cheio de terror
de tudo tudo
Mudo olha com ânsia
para a SUBSTÂNCIA
Ofertas poéticas
O poeta espeta
Com sua ponta de lata
Espetacular
O poeta palita os dentes
Depois de morder e soprar
Poeta é tudo uma raça
maldita
Mas não se regenera
Sempre quer uma teta
Uma ponta de extra ou de
estrela
Em qualquer lugar
WHITE MONKEY
(rap)
Eu cito Caetano que excitava um outro cara
Deixe que digam que pensem que falem
Pode falar o que você quiser
Nada vai mudar nem vai deixar de ser
A mesma porcaria a mesma porcaria
A mesma covardia a mesma porcaria
Contanto que você trabalhe todo dia
Se case e vá prà casa e compre muitas
coisas
Está tudo bem pode falar à vontade
Nada que você faça vai mudar a sociedade
Há muitos milênios uns primatas sem pelos
Que viviam em lugares frios e escuros
Inventaram uma fórmula pra poder suportar
A loucura de nascer de morrer e respirar
Sem poder modificar o que havia à sua volta
Se enganaram que as palavras traduziam o
que importa
E que pela simples cópula A = B
Eles podiam julgar e dizer quem era o quê
A partir deste saque fizeram muitos planos
Instrumentos e máquinas e saíram
conquistando
As terras onde havia povos muito mais
felizes
Só ocupados com as coisas diante dos
narizes
E aqueles macacos brancos racionais
Matavam todos outros que não eram seus
iguais
THAT’S WHITE MONKEY
E hoje o mundo está todo fatiado
Como se fosse pizza à venda no mercado
E quando você nasce vão logo lhe ensinado
O que é o quê quem é quem e quando é quando
Qualquer idiota sabe diferenciar
O rico do pobre o raro e o vulgar
Tudo bem classificado, cada coisa em seu
lugar
A direita, a esquerda, o que deve e o que
pode
Todo macaco tem galho leva chumbo e se
sacode
Tem três pares de mãos duas pernas e um
rabo
Duas mãos tapam olhos que não vêem a
iniqüidade
Outras duas ouvidos que não ouvem a
tempestade
Duas mãos para a boca que só fala bobagens
Os pés pra dançar conforme se quiser
E o toquinho de rabo pra enfiar por entre
as pernas
THAT’S WHITE MONKEY
E hoje se eu falar em México ou Peru
Em Tóquio ou Nova Iorque Barra ou Nova
Iguaçu
Você logo entende o que eu falo e não erra
Não vai confundir Argentina e Inglaterra
Pràs pessoas a Terra não faz nenhum sentido
Só pensam em fronteiras comércio e
combustível
E o que é belo se apaga e o que é verde
envelhece
Essa gente além de podre a tudo apodrece
A miséria está por cima de toda humanidade
Igual a um cobertor enorme e democrático
E cada mil crianças esqueleto da Nigéria
Ou do Nordeste ou da Jamaica ou do Oriente
Produzem um menino rosado e sorridente
Cheio de brinquedos caros vontades e
parentes
Sem saber que seu pai e sua mãe são a
miséria
Pois o primeiro mundo é numa espécie de
lombriga
Parasita que engorda sugando o sangue e a
vida
Dos povos morenos negros vermelhos e
amarelos
Do que para eles é apenas o resto
O refugo o esterco o lixo do Universo
E que no entanto são átomos da Terra
Da Terra preciosa nossa mãe nossa mulher
Que eles tratam como coisa que se usa como
quer
THAT’S WHITE MONKEY
E’ tudo tão nojento, é tudo tão vulgar
Que se continuar sou capaz de vomitar
A estupidez e o nazismo são humanos
Nada tão doente conseguiu se espalhar tanto
E qualquer inseto é mais belo rico e sábio
Que qualquer homenzinho prepotente e otário
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